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Caminho da Graça: Caminhada de 40 km entre Amigos



Mês de novembro, dia 27, dia de Nossa Senhora das Graças. Como Inconfidentes tem muitos devotos dessa santa, então resolvemos, por intermédio do Valdir Sarapo, que programou uma peregrinação de Inconfidentes até Bom repouso, para fazer uma visita à imagem da Santa naquela cidade, essa imagem parece um templo, mede mais de 20 metros de altura.

Fizemos uns convites meio de última hora, mas assim mesmo apareceram 24 pessoas para fazer a caminhada de 40 Km. Programamos o horário para 5:00 horas da manhã para sair da praça em frente à Igreja matriz de São Geraldo Magela, onde saímos em 18 pessoas. O Valdir sai do albergue Águas Livres bairro dos Romas com mais 5 pessoas, sendo o Valdir, Marta Aratto de São Paulo, Ema, o Antônio Maués também de São Paulo e o Joaquim Moreira com seu filho Pedrinho, do Córrego da Onça.


Morro dos Caetanos (Maurão, Maués, Fátima, Carlão, Renã, Toninho, Tiãozinho, Lucilene, Canário, Pedrinho, Joaquim, Eraldo, Vânia, Simone, Ju e Valdir).

Deu tudo certo, saímos no horário combinado, subimos a serra do Otacílio no clarear do dia, de onde se vê Inconfidentes de vários ângulos, bacana de se ver, um lugar maravilhoso, nunca tinha passado por ali. Viramos a serra, chegamos no Bairro da Grama, um dos bairros de nossa cidade. Isso era 6:20 horas, algumas casas com as chaminés soltando fumaça, sinal que o cafezinho já esta pronto.

Passamos em frente à igreja de São Judas Tadeu, mais à frente tem a casa do mecânico Paulão, aquele que tem oficina lá perto do posto do Juninho. Uns cem metros mais à frente mora o outro Paulão, aquele antigo da Grama, ele já estava na área da casa fumando um cigarrinho, ficou surpreso com nossa passagem por ali, e disse, você não vai aguentar.


Antônio Pio, Canário, Tiãozinho, Benê, Eraldo, Vânia, Simone, Maicon, Ju e Chiquito

Como tínhamos combinado de encontrar em um lugar que se chama (Rebenta Rabicho), tem esse nome por ser um morro muito forte e aquele que chegasse primeiro não precisava esperar, era só jogar uns ramos de árvores para marcar a passagem por ali e era só diminuir os passos para quem estivesse na retaguarda encostasse nos que estivessem à frente. E assim foi feito, nós chegamos um pouco na frente e demarcamos o caminho como tínhamos combinado.

Acabamos de subir o tal morro, viramos para os Freitas, chegamos na casa do Sr. Lázaro Lourenço e ele nos deu água e as mulheres aproveitaram para ir ao banheiro. Tocamos na frente, chegamos no bairro Boa Ventura as 9:00 horas, sentamos perto da igreja de São Sebastião pra fazer um lanche, já pequei minha marmita com arroz, feijão com farinha e mandei ver, comi a metade e deixei o resto para comer mais à frente, mas não comi, não foi preciso.

Barriga cheia saimos de novo, para enfrentar aquelas subidas, que por sinal muito bonitas, cada vez que você faz caminhos diferentes você nota que nossa região oferece lugares bárbaros, bairros bonitos, pastos bem formados, plantações bem cuidadas, os gados bem gordos, mais alpinistas, como disse o Paulo Brasil um peregrino que veio lá do Sul e passou por essas bandas. Como aqui tem muitas montanhas por isso ele disse que os nossos rebanhos são alpinistas. Esse Paulo fez a oração do cajado, não me esqueço dele e do Lino também.

Obs. Nas plantações por aqui o que predomina é a batata.

Quando estamos chegando no Bairro dos Caetanos, depois de ter passado o bairro dos Borges e terminado de subir um morro danado, paramos para descansar, tomar água e aí chegou o Juninho do posto de gasolina que estava dando apoio para o pessoal. Sua esposa também estava fazendo a caminhada conosco. Estava com o Juninho uma senhora que não aguentou as nossas subidas e foi preciso ser resgatada, a Ema de São Paulo. Logo atrás foi aparecendo os outros cinco companheiros que tínhamos combinado de encontrar.

Descansamos um pouco e fomos saindo uns mais à frente, outros mais atrás e assim por diante. Quando chegamos no Bairro dos Cantuárias aí começa uma subida muito forte, nessa altura o Juninho do carro de apoio resolveu caminhar conosco e a Lucilene pegou o carro de apoio com a Ema.

Subida e mais subida, como nas subidas sou mais lento que os outros, ficou comigo o Maués e a Marta e fomos conversando. Mais adiante, depois de ter terminado a subida a Lucilene estava esperando, tomamos guaraná e saímos novamente, tudo em ordem.

A Marta precisava de banheiro, como ali não tem casa foi no mato mesmo. Eu e o Maués ficamos esperando e quando ela chegou comemos um lanche e saímos de novo. Como estávamos demorando, já veio a Lucilene para ver o que tinha acontecido, mais tudo bem, nada de anormal (Apoio eficiente a Lucilene, se fosse o Juninho nos deixava morrendo no caminho).


Morro da Pedra – Bom Repouso – MG

Acabamos de descer o morro chegamos na casa do Sr. João Rufino, irmão do Nelson Rufino. Quando lá chegamos estava o Antônio Pio e o Chiquito de Mira que também estava caminhando conosco, são muito amigos do Sr. João. Batemos um papo, tiramos umas fotos, o Sr. João deu água fresquinha pra nós.

Aí só faltavam 13 km para chegar a Bom Repouso, demos início à caminhada, logo à frente uns dois quilômetros estava o pessoal, nossos companheiros nos esperando numa venda do bairro dos Marques, fizemos um lanche, tomamos refrigerante, água e até pinga o Joaquim tomou.

O Joaquim Moreira abriu uma panela de virado de frango, todo mundo comeu o tal virado, mais pareceu pão da santa ceia deu e sobrou, não faltou pra ninguém.

Só faltavam 10 km. Na saída da venda inicia-se uma subida longa, o tempo armando chuva, trovoadas, relâmpagos e ao subir o morro, já em um planalto avista-se muito longe, serra de todos os lados, se via aquelas cortinas de chuva que ficavam mais bonito ainda. Não demorou, chegou a chuva tiramos a capa continuamos a caminhada chegamos na estrada que vem de Tocos do Moji para Bom Repouso, parou a chuva, guardamos a capa daí a pouco mais chuva, tiramos a capa, chove mais ou menos cinco minutos, para a chuva, vamos andando, mais continua chovendo ninguém para, vamos indo, para a chuva, tiramos a capa, chegamos em Bom Repouso isso era 15 horas, já no bar do Sr. João Lino o rezador do terço. Juntamos todos ali, chegamos bem graças a Deus.

Papo vai, papo vem, pastéis mais pastéis, aquele pastelzinho de farinha de milho muito gostoso.

O Valdir combinou com o Sr. João para rezar o terço as 18:00 horas na capela de Nossa Senhora das Graças, onde fica a imagem no alto do morro. Saímos do bar do Sr. João, rua abaixo mais ou menos 1500 metros para chegar até imagem. Ao chegar no lugar da imagem tem uma subida de tirar o fôlego, mais lá estávamos todos nós graças a Deus.

Fotos mais fotos, compramos umas lembrancinhas do lugar, principalmente da imagem da santa.

Não demorou muito chegou o Sr. João e a família com mais uns amigos para rezar o terço. Quem nunca viu um terço cantado precisa ver para acreditar como é lindo você se emociona, precisa resgatar essa tradição.

O Eraldo tinha combinado com a Lucilene e ficou acertado que o ônibus da prefeitura de Inconfidentes ia nos buscar, mais só que não foi, o porque não sei. Quando íamos descendo para o terço veio o responsável da prefeitura de Bom Repouso e nos disse que a prefeitura de lá ia nos trazer até a Borda e que tinha combinado com a Lívia da prefeitura de Inconfidentes, só que o ônibus não poderia vir até Inconfidentes porque não podia andar no asfalto por ser escolar e a documentação não era adequada para tal estrada. Não deu certo de novo, porque íamos rezar o terço e o horário que nós podíamos vir não dava certo pra eles, porque eles tinham que buscar aluno para levar para escola na parte da noite. Que confusão.

Uns dias antes, o Eraldo tinha conversado com o responsável da empresa Capelatto de Bueno Brandão e o cara deu o preço de duzentos reais para ir a Bom Repouso nos buscar, meio caro para dividir com o pessoal. Aí, conversa vai conversa vem, ficou acertado da seguinte maneira, nós, os peregrinos, pagávamos cem reais e o restante ficava por conta do jornal de Inconfidentes ou da prefeitura, sei lá. Então foi o que aconteceu, saímos de Bom Repouso as 19:15 horas e chegamos a Inconfidentes às 21:00 horas.

Agradeço de coração meus amigos de caminhada, Valdir, Eraldo, Joaquim, Pedrinho, Benê, Canário, Maicon, Antônio Pio, Chiquito, Carlão, Tiãozinho, Maués, Juninho, Toninho do lanche, Renã, Lucilene, Vânia, Juliana, Simone, Ema, Marta, Fátima e Mariana.

A essas pessoas meu muito obrigado, que Nossa Senhora das Graças derrame as bênçãos sobre vocês, que Deus ilumine seus caminhos e assim que tiver outra caminhada dessa vamos nos unir de novo para mais uma jornada e dar continuidade nesse tipo de coisa, atrair os jovens e amigos para pôr a cabeça em ordem, esquecer alguns problemas, relatar algumas coisas que estão enroscadas dentro do peito, porque nessas caminhadas a gente desabafa, tem amigo para escutar e também para contar o que está passando dentro dele, ou com a família dele, então por isso que é gostoso essa caminhada, a gente fica sabendo dos problemas das pessoas e eles ficam sabendo os da gente.

Uns vão pagar promessas, outros para agradecer, outros fazer pedidos e assim por diante. Não é verdade?

Essa caminhada faz bem para a mente, para saúde, você faz amigos, você passeia e pra falar a verdade, se você faz tudo isso, você é iluminado por Deus, sua saúde é nota mil. Pensa bem quantas pessoas gostariam de estar nos nossos lugares, mais não podem porque estão em uma cadeira de rodas. Às vezes você acha que tem problemas, seu amigo conta o problema dele pra você e o seu fica "piquininho" perto do dele.

Então não vamos reclamar, porque somos felizes e não sabemos.


No alto Nossa Senhora das Graças

Maurão, Ju, Carlão, Juninho, Lucilene, Canário, Vânia, Benê, Antônio Pio, Maicon, Joaquim, Tiãozinho, Chiquito e Simone.

#caminhodagraça