Caminho da Fé 

Segundo informações do site “Caminho da Fé”, sua criação foi inspirada no milenar Caminho de Santiago de Compostela na Espanha. A ideia era dar estrutura às pessoas que sempre fizeram peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida. A quilometragem total a ser percorrida depende da escolha do ponto de partida. No nosso caso, optamos pelo caminho tradicional que sai de Águas da Prata, SP. Percorremos ao todo 316 km de bicicleta, boa parte deles atravessando a Serra da Mantiqueira. O percurso que escolhemos tem início no estado de São Paulo, passa por Minas Gerais e volta para o estado de São Paulo onde é concluído. Ele é quase em sua totalidade percorrido em estradas de terra que cortam a área rural dos 36 municípios que compõem o trajeto. A altimetria é respeitada e temida até pelos mais preparados e experientes esportistas, saindo dos 900 e chegando aos 1.800 metros de elevação em um mesmo dia.

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Isso sem contar os longos quilômetros de pedras soltas que dificultam bastante o pedal. A previsão era concluir o caminho em 5 dias, mas contratempos como um bagageiro quebrado, subidas muito duras e uma queda que causou um inchaço no pulso de uma de nós  prolongaram a viagem para 6 dias inteiros mais duas horas do sétimo dia. Detalhe, depois do fim da viagem descobrimos que o pulso estava fraturado. 

Vários motivos nos levaram a escolher este caminho. Além de ser o mais próximo da cidade em que moramos e oferecer uma das melhores estruturas para este tipo de viagem, sempre ouvimos dizer que as paisagens eram maravilhosas, que é um percurso desafiador e que, como os tradicionais caminhos de peregrinação, está repleto de generosidade. De fato comprovamos tudo isso. Concluí-lo chegando à basílica de Nossa Senhora Aparecida, no nosso caso teve sua relevância, porém chegar certamente não foi o mais importante. A jornada inteira foi especial e contribuiu bastante para hoje sermos pessoas um pouquinho melhores e mais conscientes da constante busca por evolução.

 

Dia 1: Águas da Prata a Barra

Café da manhã na padaria próxima à Pousada Refúgio do Peregrino, foto na estação de trem e... estrada! Ou melhor, chão de terra com uma subida logo de cara pra aquecer. Algumas horinhas de pedal e o suporte de alforge de uma das bike simplesmente se dividiu em duas partes. Era a estreia dele. Estava novinho. Depois do acontecido soubemos que o suporte mais adequado a viagens de bike é aquele que tem uma estrutura para ser fixada no quadro, pois ela evita trepidações “em alavanca” e dá mais estabilidade à bicicleta. Por muita, mas muita sorte mesmo, poucos quilômetros depois conseguimos um suporte emprestado. Vencido o contratempo, paramos em um restaurante para almoçar. Erramos na escolha do local pois nossos pratos demoraram para ficarem prontos e isso atrasou consideravelmente a viagem. Decisão para os próximos dias: comer pão com ovo no almoço. Rápido, prático e nutritivo. Fomos até Barra e dormimos na Pousada do Tio João e da Joelma. Banho quentinho para espantar o frio da noite, uma sopa gostosa e cama. Dia com dificuldade relativamente baixa perto do que viria pela frente.

Quilometragem percorrida: 53,6 (Águas da Prata a Andradas: 31,9km | Andradas a Barra: 21,7km )

Tempo aproximado do trajeto: 5h47 (Águas da Prata a Andradas: 3h27  | Andradas a Barra: 2h20)
 

Dia 2: Barra a Borda da Mata

Café da manhã acompanhado de uma agradável conversa com a Joelma. Dia de longas e cansativas subidas. Fora as lindas paisagens e deliciosas companhias, nada de especial. A conversa prolongada do café da manhã e o grau de inclinação das subidas nos fez concluir o dia um pouco mais cedo do que o previsto. Pernoitamos no Hotel San Diego na cidade de Borda da Mata.

Quilometragem percorrida: 52,1

Tempo aproximado do trajeto: 5h03

Dia 3: Borda da Mata a Estiva

O dia começou com uma subida forte pra ninguém botar defeito. As dores musculares encurtaram um pouco a jornada. Percorremos 38 km e dormimos em Estiva na Pousada do Póka, em cima da padaria Santa Edwiges. Detalhe: estava acontecendo uma festa junina na praça em frente à pousada. Jantamos e demos uma passadinha rápida na festa para aproveitar as guloseimas típicas. Fomos dormir, mas como a pousada é em frente à praça da festa, o sono profundo só aconteceu mesmo no começo da madrugada quando a festança teve fim. Importante: se você resolver dormir em Estiva no mês de junho, verifique se estará acontecendo a festa junina antes de decidir onde irá pernoitar. Algumas horinhas a mais de sono fazem muita diferença na energia do dia seguinte de um cicloturista.

Quilometragem percorrida: 40,2

Tempo aproximado do trajeto: 5h32 

Dia 4: Estiva a Paraisópolis

Acordamos cinco e pouco da manhã, tomamos café, arrumamos nosso alforge, carimbamos as credenciais e partimos. Saindo da pousada fomos seguindo a seta até um pontilhão que cruza a estrada. Atenção neste ponto. A seta está muito apagada e escondida. Não a vimos e seguimos à direita. Como o caminho é muito bem sinalizado com as setas, achamos estranho não haver indicação neste ponto importante e ficamos desconfiadas que poderíamos estar no caminho errado. Observamos que um pequeno grupo de peregrinos estava passando por cima do pontilhão e então retornamos ao caminho correto. Seguimos em direção à Serra do Caçador. Em meio aos esforços contínuos para vencê-la, um tombo causou um pequeno estrago. Resultado: almoço regado a gelo. Este incidente acabou provocando edema e hematoma no pulso de uma de nós, e isso tornou mais lento e difícil o restante do caminho. Neste dia dormimos na Pousada Casa da Fazenda, alguns quilômetros depois de Paraisópolis. Chegamos a tempo de contemplar um por do sol lindo. A pousada é deliciosa e charmosa. Foi a mais cara do caminho. Seguimos os procedimentos habituais: banho, jantar, agradecimento pelo dia e cama!

Quilometragem percorrida: 41

Tempo aproximado do trajeto: 5h12

Dia 5: Paraisópolis a Campista

Dia de enfrentar a famosa serra Luminosa. Saímos bem cedo com neblina intensa e frio. Meia hora depois de começado o pedal era impossível continuar com o corta vento. Chegamos “ao pé da Luminosa”. Paisagem incrível! Difícil não tirar um tempo para fotos. Era próxima a hora do almoço e aproveitamos para já fazer o tradicional banquete do pão com ovo. Devidamente abastecidas, rumo a Luminosa. Logo no comecinho da subida fomos convidadas pela famosa D. Inês para uma paradinha para um café com o tradicional bolo assado na folha de bananeira. Energia especial para o desafio. Enfim a Luminosa. Serra duríssima e longa com muitos trechos cheios de pedras soltas e inclinação bastante elevada. Terminamos esta etapa no início da noite, descendo em direção à Campista e passando um baita frio. Dormimos na pousada da dona Rose.

Quilometragem percorrida: 41

Tempo aproximado do trajeto: 5h47

Dia 6: Campista a Pindamonhangaba

Saímos cedo. Parada no meio da manhã em Campos do Jordão para um chocolate quente e um café. A partir daqui há duas opções para descer a serra: seguir pelo caminho oficial ou por “Pedrinhas”, uma opção muito recomendada pela sua beleza. Por ser nossa primeira vez no Caminho da Fé, optamos pelo trajeto oficial. Saindo de Campos, seguimos por uma serra linda e estreita até chegar a estrada principal onde descemos muitos quilômetros acompanhadas por carros e caminhões em alta velocidade. Trecho delicioso pela descida mas bastante perigoso também. Chegamos a Pindamonhangaba. Pernoite na Pousada Dois Irmãos. 

Quilometragem percorrida: 70

Tempo aproximado do trajeto: 5h49

Dia 7: Pindamonhangaba a Aparecida

Dia de conclusão do percurso. Muitos sentimentos e sensações misturados nos acompanharam nessas quase duas horas de pedal até Aparecida. Dia com bastante neblina. Esta etapa final é inteira pelo asfalto, completamente plana e sempre acompanhada por bonitas paisagens que emolduram o cenário da chegada. Em relação a pontos de apoio, o peregrino ou bicigrino pode contar com alguns postos de combustível apenas, ou a opção de entrar na cidade. Difícil segurar as lágrimas quando avistamos a basílica de Nossa Senhora Aparecida. Objetivo atingido. Em agradecimento a tudo o que vivemos, participamos da missa das 10:30 e em seguida nos dirigimos a secretaria para retirar nosso certificado de conclusão do Caminho. 

Quilometragem percorrida:  27,1

Tempo aproximado do trajeto: 1h40

A volta pra casa

 

Deixamos o carro em Águas da Prata na Pousada do Peregrino e contratamos um motorista da região para pegá-lo e nos buscar em Aparecida. Estudamos outras opções para retorno ao interior de São Paulo, onde moramos, como por exemplo ônibus, mas em função de tempo e cansaço, essa foi a nossa opção.

 
Atenção: informações e valores referentes à junho de 2015

Cidade: Águas da Prata – SP


Pousada Refúgio do Peregrino
Fones: (19) 3642-2724 | 99256-4990 (Tina) |

98149-1707 (Ana)

Endereço: Av. Washington Luiz, 347 – Centro
 

Nossa Experiência
Local de retirada da credencial (R$ 10). Pousada simples com quartos comunitários e uma cozinha que pode ser utilizada por todos. Pousada fica próxima a rodoviária e ao lado de uma farmácia. Pousada exclusiva para peregrinos.

 

Valor

R$ 35,00/pessoa

 

Refeições 

Não oferece nenhuma. Há restaurante e padaria bem próximos.

Lavagem de roupas

Tem tanque e varal.

 

Pagamento

Não aceita cartão.

 

Local para Bike

Fica em um espaço a céu aberto entre a parte da frente e uma edícula no fundo.


Estacionamento 

Sim, mas para poucos carros (uns 3).


Dica

Utilizar o freezer para colocar seu squeeze na noite anterior.


 

Lavagem de roupas

Tem tanque e varal.


Pagamento 

Não aceita cartão.

 

Local para Bike

As nossas ficaram na sala, pois no dia que pernoitamos não haviam outros hóspedes. Disseram que não há problemas em deixá-las do lado de fora da casa.


Estacionamento 

Sim, espaço em frente a casa.

Cidade: Barra (zona rural de Ouro Fino - MG)


Pousada do Tio João e Joelma
Fone: (35) 9915-7554 | 9955-2254 | 9632-2798

E-mail: joelmaimicidio13@gmail.com

 

Nossa Experiência
Pousada simples. Apesar de não haver comunicação direta, a ala dos hóspedes é parte da casa deles. Essa parte é composta por uma sala com televisão, sofá e beliche. Há 3 quartos com beliches e 2 banheiros. Pousada exclusiva para peregrinos.

 

Valor

R$ 50/pessoa

 

Refeições

Jantar e café inclusos na diária.

 

 

Lavagem de roupas 

Não.


Pagamento

Não aceita cartão.

 

Local para Bike

No estacionamento.


Estacionamento

Sim.


Dica

Neste dia aproveitamos para comprar suprimentos no supermercado para fazer sanduíches e água de coco, ambos para levar no dia seguinte da viagem.
 

Cidade: Borda da Mata - MG


Hotel San Diego
Fone: (35) 3445-2087 | (35) 9839.9474

Site: hotelsandiego.tur.br
E-mail: hotelsandiegobm@gmail.com

Endereço: R. Eduardo Amaral, 395-Centro
 

Nossa Experiência

Hotel simples. Há supermercado e padaria próximos.
 

Valor 

R$ 50/pessoa

 

Refeições

Café incluso na diária. Há opções para refeição próximas ao hotel.

 

Lavagem de roupas

Sim.

 

Pagamento

Aceita cartão.

 

Local para Bike

Em um depósito próximo.

 

Estacionamento

Não.

 

Dica 

Se for no mês de junho, verifique se está acontecendo a festa junina da cidade na praça em frente a pousada. A festa acaba tarde e é difícil dormir devido ao som ser muito alto.
 

Cidade: Estiva – MG


Pousada do Póka

(em cima da padaria Santa Edwiges)
Fone: (35) 3462-1729
E-mail: pousadapoka@hotmail.com

 

Nossa Experiência
Hotel simples com suíte confortável. Há padaria e farmácia próximos.

 

Valor 

R$ 50/pessoa

Refeições

Café incluso na diária. Há opções para refeições próximo a pousada.

Lavagem de roupas

Tem lavanderia.


Pagamento

Dinheiro.


Local para Bike

Varanda da fazenda.


Estacionamento

Sim.


Dica

Se for em grupo aproveite a varanda para uma agradável sessão de bate papo com os amigos. Ambiente gostoso e visual incrível.

 

Pousada Casa da Fazenda
Fone: (35) 9932-2029 | (35) 8438-3368
Site: pousadacasadafazenda.com.br

Nossa Experiência

A pousada é uma linda sede de fazenda. Não é das mais baratas, porém oferece um ambiente muito aconchegante e bem decorado. A natureza ao redor é um espetáculo a parte.
 

Valor

R$ 110/pessoa

 

Refeições 

Café e jantar incluso na diária. Comida típica mineira com algumas variações gostosas e sofisticadas, incluindo massas e sopas caseiras com sabor de fazenda. 

 

Cidade: zona rural do município de Paraisópolis - MG

Refeições

Café e jantar inclusos na diária.


Lavagem de Roupas

Sim.


Pagamento

Dinheiro.


Local para Bike

Varanda da casa ou espaço aberto entre a casa e a edícula.


Estacionamento: Não.

Cidade: Campista – SP (Distrito Campos do Jordão)


Pousada Dona Rose
Fone: (12) 3664-2257 | 9794-0367

 

Nossa Experiência
A pousada possui dois ambientes. Algumas acomodações são quartos dentro da casa da dona Rose. As demais são edículas no fundo da casa. A dona Rose deixa os peregrinos muito a vontade para abrir a geladeira, transitar pela casa e comer frutas. Pousada exclusiva para peregrinos.


Valor: R$ 55/pessoa

 

Lavagem de Roupas

Não.
 

Pagamento

Aceita cartão.
 

Local para Bike

No estacionamento da pousada.
 

Estacionamento

Sim.

Cidade: Pindamonhangaba – SP


Pousada Dois irmãos
Fone: (12) 3642-7766

 

Nossa Experiência

Pousada muito simples que se limita a um corredor com alguns quartos. Fomos bem atendidas.

 

Valor 

R$ 50/pessoa

Refeições: Café incluso, porém limitado a café, pão, margarina e 1 tipo de bolo. É servido em um ambiente muito pequeno onde cabem apenas 3 pessoas.
Para jantar é necessário informar com antecedência, pois eles pedem em um restaurante. Há o restaurante de um hotel encostado a pousada. Poucas opções de pratos e tem preço intermediário.

 

Mais opções de hospedagem em www.caminhodafe.com.br
 
Percurso x Hospedagem
Quanto Custou Fazer o Caminho da Fé?

No Total Final não estão inclusos os valores de ida até Águas da Prata

e nem o retorno de Aparecida até a nossa cidade.

Informações referentes à junho de 2015.
 
Informações extraídas do site www.caminhodafe.com.br
Dia 1Águas da Prata a Barra
Dia 2Barra a Borda da Mata
Dia 3Borda da Mata a Estiva
Dia 4Estiva a Paraisópolis
Dia 5Paraisópolis a Campista (antes da Luminosa)
Dia 6 Campista a Pindamonhangaba
Dia 7 Pindamonhangaba a Aparecida do Norte
 
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